quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Asas Negras - Prólogo - Parte 1

Ilustração de Heise Jinyao

PRÓLOGO - PARTE 1

Ele não devia ter feito isso, mas não lhe deram escolha. Poderia ser tomado como desertor, mesmo assim enfrentaria o inferno, se necessário, para salvar a vida de sua família. Ele era um Oficial de Elite, privilégio concedido por conta de sua grande Força Psíquica, capaz de manipular os elementos e energias apenas com o poder de sua vontade. Por isso Zach era muito necessário e requisitado, afinal eram poucos os que conseguiam desenvolver tal poder mental. 
 
E esse foi o poder usado contra o Comandante, um Daemon valoroso e de grande Força Física – porém, não páreo para Zach, quando resolve manipular a mente, ato extremo e antiético. O Oficial fez com que o seu Comandante ordenasse que ele partisse imediatamente para o interior das Terras do Sul, como Mensageiro de Guerra, alertando as aldeias sobre a iminente invasão pelo exército das Terras do Norte. 

Enretanto, o objetivo de Zach não era assim tão nobre. Não era com esse intento que partia para o interior, para servir de mensageiro. Sequer era necessário isso, pois outros soldados já foram enviados para essa missão. 

Todo o País do Verão estava em alerta e, além disso, se podia contar com as mensagens transmitidas através de Magia, pois sempre havia algum Pajé, algum feiticeiro em alguma aldeia que poderia transmitir o alerta para as aldeias vizinhas. Não, o que ele tencionava era salvar a vida de sua família, colocá-la pessoalmente em segurança: o pai idoso e a irmã que lhe restava, ainda adolescente e sem nenhuma Força desenvolvida. Mas o seu maior medo era por Mariellen, sua jovem esposa. Ela não seria capaz de acompanhar a fuga, não seria capaz de sobreviver às adversidades que certamente a fuga imporia a todos. Mesmo o seu pai idoso e adoentado ainda era mais apto a sobreviver do que ela, quase duzentos anos mais jovem... Mariellen era humana e pertencia a Terra. 

O imponente Órix, o antílope usado como montaria pelo exército das Terras do Sul – por conta de sua força, agilidade e velocidade – corria a saltos largos, quase mal tocando o solo com seus cascos fortes. Deslizava sobre o relvado e áreas rochosas como se não carregasse a armadura para proteção de seu próprio corpo e um Daemon igualmente armado em suas costas. A paisagem passava como fosse apenas borrões lânguidos de tinta colorida, e o sol escaldante do Verão parecia dar-lhe ainda mais energia. 

As horas se passavam e o Sol começava a se pôr atrás da serra, lançando clarões vermelhos e dourados na atmosfera, fazendo com que o reflexo na armadura belamente ornada de Zach parecesse em brasa viva. E assim ele  próprio e sua montaria se sentiam, após horas correndo sob o calor intenso. 

Com alívio, avistou os primeiros telhados de taipa ao subir a ladeira que levava à aldeia onde sua família morava, aos pés de uma serra forrada pela floresta tropical. Sorriu em antecipação, apenas por saber que veria novamente os rostos que tanto amava, e veria os olhos azuis que tanta paz lhe traziam, embora, pressentisse, fosse a última vez que os veria... 

Continua... 
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Grata!

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